Dados da
Organização Mundial da Saúde (OMS) têm apontado para aumento da prevalência do
diabetes em todo o mundo. Esta doença é responsável por grande parte dos gastos
com saúde atualmente, principalmente devido a suas possíveis complicações.
Várias destas complicações ocorrem nos pés e tornozelos. A diabetes afeta a
circulação e a inervação (há uma perda da sensibilidade protetora) desta região
do corpo.
O pé
diabético baseia-se no conjunto de alterações neurológicas,
infecciosas e vasculares, que acometem os pés dos pacientes portadores de
diabetes e que podem levar a complicações graves ou até mesmo à amputação e
morte.
O Dr. Marco Tulio
Costa, presidente da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do
Tornozelo e Pé – ABTPé, ressalta que o pé diabético é
uma das complicações mais comuns de quem tem a doença, e é a principal causa de
amputações no Brasil, depois dos acidentes.
Há vários tipos de
lesões que acometem o pé diabético, causados pela perda da sensibilidade e a
diminuição da circulação sanguínea. Algumas destas lesões são:
Neuropatia
diabética. Perda da função dos nervos
do pé, principalmente da sensibilidade dolorosa e tátil, dificultando a
percepção do paciente em notar lesões ou contusões. Sem a sensibilidade, as
possíveis lesões podem evoluir rapidamente e formar bolhas e feridas abertas
(úlceras), possibilitando assim a entrada de microorganismos e causar uma
infecção no pé.
Úlceras
diabéticas. Feridas abertas
ocasionadas por aumento da pressão local ou por ferimento (corte) na pele.
Normalmente, mas não obrigatoriamente, relacionadas com a perda da sensibilidade
dolorosa do pé. Em casos graves, é necessária a cirurgia para limpeza e
desbridamento das lesões mais profundas ou até mesmo a amputação de dedos ou
parte do pé para sanar a infecção.
Infecção. O paciente diabético com infecção grave apresenta
mal-estar geral, febre e aumento dos níveis de açúcar no sangue. Normalmente,
nota-se abcesso, secreção purulenta, mau cheiro, área inchada e avermelhada, as
vezes com áreas de necrose de tecidos. Esta situação é grave porque pode ser
necessária a amputação para resolução do problema.
Artropatia
de Charcot. São lesões ósseas. O
paciente com diabetes também perde a sensibilidade para fraturas, deslocamentos
ou microtraumas ocorridos nos ossos do pé e tornozelo, o que exige uma
abordagem diferenciada. Dependendo da gravidade, o tratamento pode ser
imobilização por gesso, órtese ou até mesmo cirurgia reconstrutiva.
De acordo com os
últimos dados do Ministério da Saúde (MS), existem pelo menos 16 milhões de
pessoas com diabetes no país. É uma questão de saúde pública, e para prevenir
esse problema, que representa 20% das internações de pacientes com diabetes no
Brasil, o Dr. Marco Tulio explica que o cuidado com os pés e tornozelos dos
diabéticos é fundamental. A inspeção diária dos pés em busca de lesões, o uso
correto de calçados para o pé diabético, entre outros cuidados podem evitar o
aparecimento de lesões. Caso o paciente ou a família perceba qualquer lesão
suspeita, o médico deve ser procurando imediatamente.
Veja também:
A cura do diabetes
O que o diabético deve comer?
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